segunda-feira, 2 de março de 2015

Trabalho = Introdução alimentar? Eu achei que sim, então...

Voltei e voltei com uma postagem que havia preparado há 6 meses a trás, quando a criança completou 4 meses e eu tive um convite para voltar a trabalhar logo após o fim da minha licença maternidade... e aqui vai a antiga postagem nunca anteriormente postada!

"Enfim, fruta amassada e sopa de legumes para a criança!

Escrevo isso com muito pesar no coração e até chateada com tudo isso. Na verdade, é um sentimento dúbio, pois até então estava desempregada, me propondo a voltar ao trabalho de freelancer para poder ficar em casa, amamentando o pequeno até os 6 meses, quase que exclusivamente, e só lançando mão dos 'sólidos' para adaptação e uns momentos de necessidade. Já sabia que ia ser tempos de vacas magras, mas totalmente superáveis (pensamento positivo quase poliana sempre!).

Aí, surgiu uma oportunidade. Uma ótima oportunidade na minha área. Ótima por dois grandes motivos, além do óbvio de voltar a ter salário: são 6 horas diárias definidas, o que me propicia menos horas fora e um cronograma diário '''bom''' (com muuuuuuuuuitas aspas) para mim e para o filho, e será perto de casa, perto mesmo! Intervenção no território de favelas (com ou sem UPP) e perto de casa!

O trabalho em si já havia me ganhado, mas quando fiquei sabendo desses dois outros grandes motivos, subi pela paredes de felicidade. (Nem tanto, Julia, nem tanto!)

O grande problema: a introdução de alimentos não-mamados... Essa parte me pegou desprevenida. Tudo muito rápido, mas pelo menos com orientação e aval da pediatra, que inclusive sacou nossa rejeição a leite artificial e outros líquidos estranhos não-naturais. É, a gente tem disso e sofre com críticas... Dane-se! (E, segundo a cartilha de introdução alimentar da OMS, IA precoce é antes de 4 meses, então... joguem as pedras em outrxs! =P)

Como havia dito antes, eu e meu companheiro decidimos introduzir alimentos quando o Paco fizesse oficialmente 4 meses. O que aconteceu! Feito 4 meses e conversado com a pediatra, Matheus e eu fizemos a primeira maçã raspada para o filhote, que fez muita cara estranha, mesmo que aceitando enlouquecidamente depois! Foi uma primeira experiência muito engraçada... O planejamento era fazer duas 'papinhas' (odeio esse nome, parece que não é comida, blergh) por dia, o mesmo alimento por dois dias. Coisa normal.

Fizemos isso até 3a...

Depois disso, na própria 3a, fui agraciada com a notícia de fazer uma seleção na 4a...

Fui na 4a, demooorooou, o pai sofreu e o amassado de mamão foi dado.

Na 5a tinha que resolver as burocracias, pois na noite anterior mesmo, já sabia da boa notícia. Mais uma tarde não muito longa e a pêra raspada entrou para jogo. Aliás, segundo a avó, uma pêra argentina degustada, lambida, engolida, amada!

De novo, 6a... Esse dia foi looongo, looongo meeesmo. Me senti péééééééééssima... Tudo foi usado: leite ordenhado, sopa de batata e mamão. Meus pais se saíram muito bem mesmo! E o pequeno também! (Muito orgulhosa desse meu filho lindo que tá passando por isso tudo com vários sorrisos e bom-humor)

Ai... Morri de saudades... Semana passada, com a formação, foi feita uma primeira adaptação para saber melhor os horários do Paco, melhor forma de não deixar ele sem peito por muito tempo, melhor forma de tirar o leite que fica sendo produzido essas horas todas longe dele, melhor hora da fruta, melhor hora da sopa, etc etc etc... Todo dia me sinto mal por sair de manhã e deixar ele com o pai e depois com os avós... E chegar na casa deles para pegá-lo e voltar para casa... Uma maratona que, acredito eu, deixa todo mundo exausto, todo dia!

Exaustão emocional e fisiológica. Pois ele acorda todas as noites, duas vezes. E na segunda demora mais para adormecer. Parece que ele sabe o que o espera em algumas horas e quer aproveitar todos os momentos comigo, mesmo não sabendo que vai acabar comigo... Levanto, preparo café da manhã, me arrumo e 'acordo' o pequeno para mamar. Depois saio... Saio e só paro de pensar obsessivamente nele depois de ligar para o Matheus e depois para os meus pais. Com ele no subconsciente, pois o foco muda durante o dia de trabalho, volto ligando para casa dos meus pais. Chego, sento no sofá, num peito ele mamando enlouquecidamente e no outro eu me ordenhando para deixar um alento para ele para a manhã seguinte.

Adaptação é processo. Tudo é processo. Quem leu esse blog mais de uma vez sabe: para 'a pior mãe do planeta', me tornar 'a pior mãe do planeta' é processo!"

Depois de reler esse texto escrevo mais: pouca coisa mudou. Ainda fico com o coração na mão, ele ainda acorda (mais vezes inclusive) de noite, eu choro quando penso nele "longe" de mim. Porém, depois de 8 meses feitos, relaxei mais com a comida dele e ele tá bem. Tá comendo bem, não tem nem desenvolveu nenhuma alergia... Tá crescendo muito rápido e me vejo perdendo um monte. E continuo com o meu mantra: PRO-CES-SO! Tudo é processo... ai ai ai!

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A sugestão do suco de laranja que partiu meu coração

Meu filho caga uma vez por semana! Não sei se ele tem prisão de ventre ou não... Ele antes sofreu com cólica e agora sofre de prisão de ventre. O pequeno ENCHE a fralda de cocô uma vez por semana. É um cocô fedidíssimo (velho), pastoso quase duro (velho) e com cor escura e forte (velho) - diferente desses esperados, que são meio alaranjado e cheio de pontinho branco.

Isso nos dá uma certa preocupação. Não sei se é porque ele produz poucas fezes ou se de fato o intestino dele não colabora. São algumas teorias que surgem na cabeça da pediatra dele, na minha cabeça e na do meu companheiro. Um dado importante: Paco é magro e, segundo aquele gráfico filho de uma égua na caderneta dele, ele aparece entre as linhas vermelha e preta (o que deixa a avó dele meio desesperada, que por consequência deixa a MIM meio desesperada)... Sinceramente, desencanei disso... Mas não do cocô!

Me deixa intrigada e preocupada, porque penso e sei que prisão de ventre é algo muito incômodo. Quem tem, sabe como é! Um cocô... (Só que sem cocô!) Dá para perceber que tem algumas semanas que ele sente um desconforto. Tem dificuldade para dormir às vezes e costuma ser na época em que está mais longe do dia em que conseguiu cagar. Tadinho...

Além dessa óbvia preocupação que me deixa cabreira, tem a tal da opinião alheia. A opinião alheia sobre o que você deve fazer sobre alguma coisa qualquer que seu filhx possa estar tendo é de matar! Vou ser justa: tem pessoas que são sensatas e que conseguem simplesmente dar a opinião sem impor ou dar uma sugestão baseada na relação entre teoria e prática (não confundir com pragmatismo, por favor!). Agora, quem costuma abrir a boca para falar algo faz de forma impositiva, bastante julgadora e com uma certeza que me dói!

Costumam completar a frase, qualquer frase (!), com: "eu fiz assim e deu certo", "na minha época se fazia desse jeito", "eu não entendo o porque disso agora", "um monte de teoria, teoria, teoria... o que conta é a prática!", "isso, na minha época, não fazia mal algum", etc etc etc... E, na maioria das vezes, não se conformam quando você faz diferente delas ou tem uma opinião contrária/oposta. Mas, pessoas são pessoas, né?! =P

Enfim, para ser sincera, não me incomoda, não me incomoda mesmo... (Só quando me enchem o SACO!) Já me incomodou mais. Quando você traz o seu filhx para casa, VOCÊ quer cuidar dele, por maior que seja o medo que ronde sua cabeça... Isso é fato! Então, qualquer coisinha que te falem costuma ser incrivelmente incômodo, até por que, a gente está muito frágil e insegura nessa época. Depois, tudo fica mais fácil e se está com mais certeza sobre como se quer criar e cuidar de filhx. Você relaxa!

O problema mesmo é quando a opinião contrária a sua vem de dentro da sua casa. =/

Acho que foi a primeira vez que de fato não gostei de algo que Matheus me disse. Acho que foi a preocupação com o cocô. Só sei que ele me veio com a frase: "acho que a gente devia tentar um suco de laranja lima para ver se solta". Caralho! Não! A gente concordou que não ia recorrer a qualquer outro alimento antes dos 4 meses, senão o peito, e sem auxílio da pediatra! A gente concorda que o leite materno é o melhor para o bebê até os 6 meses! Como, como, como assim você me vem com essa?!

Sério, eu fiquei chateada... Poxa vida... A gente não recorreu a fórmula quando fomos alarmados sobre o pesos do Paco, aí vamos recorrer a laranja lima por causa de um cocozinho? Poxa vida...

Não concordei... Não mesmo... Eu sei que muitas pessoas recorrem a chá e suco e que fazem uso da fórmula. Não julgo, não falo contra, não acho errado, nada disso, mas isso não é uma opção para mim. Não gosto de fórmula, acho ruim, costuma causar prisão de ventre e não se iguala nem de perto ao leite materno. Acredito que seja necessário em último dos últimos casos! Para mim, o melhor é incentivar a mãe a ordenhar muito e tentar estimular ao máximo a pega e a produção de leite.

Não recorri ao chá quando ele teve cólica. Não é bom dar água antes dos 6 meses. Gera saciedade e isso confunde o bebê. Além disso, o leite materno é o melhor alimento para ajudar a amadurecer o intestino e não causa cólica. Pelo contrário, com a pega correta no bico do peito, ajuda, pois o movimento intestinal faz com que o bebê solte os gases. A única coisa a qual recorri foi a simeticona, já que ela não fica no organismo. É eliminada junto dos gases.

Para a prisão de ventre, recorri duas vezes ao supositório de glicerina, por indicação da pediatra e porque o excesso de fezes estava incomodando por demais a criança. Senão, teria esperado a eliminação sem nada... O supositório também não é absorvido pelo organismo, é absorvido pelas fezes, que amolecem e saem. Às vezes nem se desfazer acontece. O simples toque provoca a cagada! Por isso, não precisa de suco de laranja lima para fazer soltar. Não precisa de suco de laranja lima para ser absorvido pelo organismo e não ser totalmente eliminado. Não precisa de suco de laranja lima para nada nesse momento da vida dele.

Para não usar o supositório, recorri a algo melhor: uma massagem depois do banho quentinho. Movimentos circulares, da direita para a esquerda com um óleozinho próprio para bebê! Cagou no dia que fiz isso! Ou seja, para mim, pessoa que é "a pior mãe do planeta", a tentativa foi acertada... =]

Moral da história: não deixe de tentar algo que acha você acha que é correto para sua cria... Sério! Insegurança é um sacooooooooo...!!!

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Os dias sozinha... com o pequeno... E ponto!

Bom, teoricamente, era para eu voltar ao trabalho essa semana, fim da minha licença-maternidade. Era para o Paco ir para casa dos avós, quase que todos os dias. Era para eu começar a introduzir uma sopinha de legumes que a pediatra me passou para as horas sem leite materno. Era para um monte de coisa tá diferente... Mas não!

Essa semana não voltei a trabalhar, pois o programa em que estava inserida passou por uma reformulação, e por reformulação lê-se: diminuição de equipes, pessoas sendo dispensadas, menos lugar para intervir, etc etc etc. Agora, preciso mendigar uns trabalhos para serem feitos em casa... Aliás, quem estiver precisando de tradução/versão Inglês-Português, revisão de Português e adaptação de artigo para ABNT, estamos aí! ;]

Enfim, por essas e outras, me encontro sozinha com meu filho por muitos momentos e dias da semana. Minha mãe me ajuda dois dias da semana (isso oficialmente, oficiosamente chega a 4, entre finais de semana), dias esses em que foco na tentativa de começar um estudo. Necessário para ver se dou uma mudada por aqui nas coisas e consigo um trampo melhor.

No entanto, pouco consigo fazer pela casa e por mim... Isso gera uma certa angústia! Mesmo se passando 4 meses, ainda não sei direito como fazer um cotidiano que funcione. É estranho! Não consigo de fato desviar minha atenção do pequeno para dividir com outras coisas quando estou sozinha. Ainda preciso de gente para funcionar melhor - ou funcionar e ponto!

Claro que não dá para apressar nada. Disso eu sei! Minha mãe desde o começo me fala que isso não cabe, tudo tem seu tempo. Sei também que tudo é processo (inclusive, tenho uma amigona minha que sempre me sacaneia, porque tudo para mim é processo, tudo mesmo!). É meio solitário, às vezes (muitas vezes, para ser sincera). E engraçado, pois tenho uma constante companhia, mas que não é uma companhia em si. É difícil definir... É filho e ponto! Alguém que precisa de cuidado e atenção... E ponto!

Não adianta, só consigo começar e terminar uma tarefa quando ele dorme ou quando mais alguém está comigo. Para você ver, comecei a escrever essa postagem na quarta e só tô acabando agora! (Vamos fingir que comecei a escrever a postagem a tempo de publicar no dia certo, tá?!) Quase três dias inteiros para postar... E olha que nem é uma postagem assim, de grande profundidade. Quer dizer, isso eu não sei.

Faz três semanas que não milito de verdade, que tô começando a estudar - mas que não tá passando de muita preparação para pouca ação -, que tento fazer um dia-a-dia de arrumação da casa... É pesado pensar isso tudo! Não que eu faça isso tudo sozinha, mas é mais pesado para mim, não adianta. Como eu tenho dito, as pessoas subestimam o que é dar de mamar de hora e meia em hora e meia. É uma exigência fisiológica, é um cansaço que dá de fato! É perda calórica!  Sem falar que acorda-se todo dia no meio do sono! O corpo sente... A mente sente... Tudo sente!


E as exigências não acabam... As que tu faz para si mesma, então! Essas, nem se fala! Oh, céus, porque eu penso?! Porque eu simplesmente não curto?! Por que não dá... É isso e ponto!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Isso não é uma democracia! Isso é uma família!

O título dessa postagem é uma máxima minha que roubei, desde que ouvi no filme "A Partilha" e constituí família (o filme vi tem anos, a família foi feita rapidíssima esse ano), falo e reproduzo sem parar. Por favor, não achem que eu seja a pior mãe do planeta por que serei uma mãe autoritária e que meu filho terá que fazer tudo que eu mandar sem me questionar. Por favor, NÃO!!! Eu sou a pior mãe do planeta exatamente pelo contrário: a permissividade! o.0

Mas vamos combinar que é mais ou menos isso: famílias não são democráticas, elas são famílias e ponto. Imbuídas de moralismos e conservadorismos que, por mais que queiramos evitar, ditam muitos pensamentos nossos meio às vivências do cotidiano. Inclusive, família é tão não-democrática que, eu como mãe (e provavelmente meu companheiro também), lutamos contra essa característica desde que Paco nasceu.

Eu e Matheus conversamos sobre a criação de Paco quase que todo dia! E, antes mesmo do Matheus (e do Paco), eu já tinha pensamentos próprios... Pensamentos que rechaçam não concordam com a ideia de que "criança não sabe e, por isso, cabe aos adultos ensinar", "criança não tem que querer", "eu [pessoa adulta] sei o que é melhor para você [pessoa criança]", "mãe tem que dizer não(!)", "uma palmadinha [cheia de 'inhas' na entonação] não dói", etc etc etc... Eu ODEIO cada uma dessas frases. Odeio MESMO!

(Nesse momento, com certeza vai ter alguém que vai pensar e até mesmo falar "quero ver só quando chegar a hora, se vai ser toda compreensiva" ou "iiihhh, essa criança vai ser sem limites, um tirano em potencial")

Meu companheiro fala que vivemos numa sociedade "adultocentrista". Um lugar onde focamos nx adultx, nas vontades dxs adultxs, na "sabedoria" dxs adultxs, nas decisões dxs adultxs... De fato, ela é uma sociedade muito adulta: tem respeito quase que nenhum pelas crianças. Criança não tem opinião! E, desde que tive a incrível experiência de trabalhar com crianças e adolescentes, me chateia muito saber que o que é incentivado é criarmos crianças - pequenas pessoas, futurxs adultxs - a reproduzir e fazer tudo sem questionar, sem refletir - ou só refletir quando queremos que reflita e sobre algo que já temos uma conclusão na qual queremos que elas cheguem.

Daí eu não entendo uma coisa: COMO A GENTE EXIGE UMA MUDANÇA DO MUNDO SE NÃO PERMITIMOS QUE AS CRIANÇAS QUESTIONEM E MODIFIQUEM A NOSSA FORMA DE PENSAR???

Carambolas!!! Será que não dá para compreender que se a gente quer que as crianças somente reproduzam os nosso pensamentos, elas vão fazer isso do início ao fim das vidas delas? Criança tem vontades, e não é a sua nem a minha vontade. Criança tem opinião, e não é a sua ou a minha opinião. Criança adquire conhecimento, pois tem uma sede absurda de curiosidade. Criança tem uma forma própria de investigar o mundo e tudo que a gente faz é limitar cada vez mais essa forma. Limitamos cada vez mais a vontade de conhecimento das nossas crianças.

Chego a conclusão de que, se a "Democracia" que queremos preservar é essa que impomos às crianças, de fato, esse troço aqui que eu construo não é uma democracia, é uma FAMÍLIA! E espero que uma das mais BÁRBARAS!!!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Relato de parto... HUMANIZADO!

Demorei demais. Devia ter iniciado meu blogue com essa postagem. Porém, não seria "a pior mãe do planeta"... Por isso, aqui vai meu relato de parto (ou o que me lembro dele!).

Meu relato começa a partir do dia anterior ao trabalho de parto em si, pois encaro o TP desde a percepção da parturiente das contrações irregulares que "chamam" sua atenção para parto até o nascimento da criança. Por volta da 1h da manhã do dia 21 de abril desse ano, comecei a ter contrações que nunca tinha sentido durante a gestação. Eu e meu companheiro nos ligamos que era o início da fase de total mudança de nossas vidas.

Ligamos para meus pais, para a minha doula Rebeca, nos encontramos na nossa casa e fomos para a maternidade (Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda), que é a referência em parto humanizado no serviço público de saúde. Não fui admitida, pois após um toque de dor inenarrável foi feito - estava com dois centímetros e o colo do útero completamente para atrás ainda. Depois de fazer uma cardiotocografia (exame que mede o batimento cardíaco do feto), voltei para casa, onde ficamos na expectativa do nascimento- a minha estadia antes da minha liberação merece uma postagem por si só para falar de uma parturiente que me chamou a atenção.

Passamos o dia comigo tendo contrações esparsadas. Um casal de amigos aproveitaram para me visitar e ficaram espantados com a nossa tranquilidade. Aliás, eu não tinha feito meu plano de parto e acabei fazendo com eles e explicando alguns pontos. Um deles faz medicina e está quase se formando o que foi bom para me explicar algumas coisas. O outro não tinha nem ideia de como o movimento feminista enveredou tanto para discutir e impedir a violência obstétrica que não sabia que um parto pode ter um plano só seu. Achava que todos são iguais e ponto final.

Após um dia inteiro de algumas delícias culinárias realizadas, e compartilhadas no facebook, pelo Matheus, o início de um filme que teve que ser interrompido e alguns exercícios na nossa bola verde de exercício, por volta das 1h da manhã (mais uma vez!), contrações muito regulares e um pequeno sangramento nos avisaram de que dessa vez a ida para a maternidade seria definitiva! A partir daqui minha memória não é lá muito confiável, mas vamos que vamos...

Dessa vez minha mãe deixou o carro com a gente! Fomos direto para o MMA e nos encontramos - mais uma vez - nós, meus pais e minha doula. No caminho para a maternidade teve companheiro avisando de contração - que eu já sabia que estava super regular -, caminhão de lixo no meio e muita contorção minha (parir dói!).

O MMA respeita a presença da doula no quarto de parto junto a parturiente e ao acompanhante - o que é maravilhoso! -, mediante assinatura de um documento descrevendo o que se pode ou não ser feito durante esse processo.

Mais uma vez, o famigerado toque foi necessário para a minha admissão. Mas esse não doeu, já tava tudo esquematizado: colo para frente, 4 centímetros de dilatação, bolsa íntegra. Mais uma vez a cardiotocografia. Tudo tranquilo... Eu tava louca para chegar logo no quarto e ficar pelada debaixo do chuveiro quente! E foi o que aconteceu... Uma explicação: o chuveiro quente é ótimo para a dor, mas acelera as contrações, então, já viu, né?!

Não foi como pensei, tinha que sair debaixo do chuveiro, mas ao mesmo tempo, o quarto era extremamente gelado - ar central (PQP!). Me sequei, pus um avental, sentei na cadeira tipo cavalinho dentro do banheiro com o chuveiro ligado para ficar mais quente. Nada confortável! Deixa eu me levantar e colocar um casaco para ir para a cama... Tentei andar, doia mais. Tentei ficar apoiada na cama, tava cansada demais para ficar em cima das pernas. Finalmente, sentei na cama com meu companheiro me aparando sentado por trás - e a bola de exercício apoiando ele -, nesse momento chega a médica que me pergunta se pode fazer o toque para eu saber a quantas andava a dilatação - pedir para fazer o toque é o correto, médicx que já vai enfiando os dedos tá errado (isso é violência obstétrica!). Deixei, já estava com 10 cm! E a bolsa íntegra...

Ela, de uma forma muito legal e fofa, disse: "Já tá tudo certo. Deixa ele vir, minha flor!" E eu : "Eu tô tentando!" (Nesse momento, eu, meu companheiro, minha doula e a equipe de enfermeiras obstetrizes, todo mundo que Paco fosse nascer em breve... Ledo engano!)

Fiz muita coisa desde que entrei naquele quarto... Nada me deixava confortável e a cada hora que passava mais eu entrava na partolândia... Apesar de alguns momentos de certo desespero (?!), teve um momento que fiquei de joelhos em cima da cama me apoiando na cabeceira totalmente em pé. Lá fiquei por horas, sentindo as contrações, fazendo força longa aos poucos, me concentrando na expulsão do Paco. Dali conseguimos que o pequeno se encaixasse mais, descesse mais, quisesse nascer mais... A enfermeira que me acompanhou no inicio a fim ficava monitorando o batimento cardíaco do Paco de hora em hora... Como ele tava superbem o que tinha que fazer é continuar a caminhada!

Mas a progressão foi pouca... E a bolsa íntegra. Por outro momento fiquei pensando alto: "Eu não sei mais o que faço para ele nascer..."

Engraçado que o corpo, não sei como, faz que com a gente ensaie um descanso meio as contrações e a ansiedade. Tive a impressão de quase dormir em alguns momentos em cima da cama, de joelho mesmo.

As contrações são outras coisas de outro mundo! Algumas vem super forte, quase insuportável e outras vem mais brandas, dando um pouco de conforto.

Muita massagem, muita dor, muita ansiedade depois, desci para tentar andar um pouco. Não deu, não dava, e o pior é que eu sabia que isso fazia bem, mas não conseguia andar. Por isso, sentei na cadeira cavalinho e lá fiquei. Finalmente! Conforto em meio as contrações!

Já no expulsivo - criança encaixada e contrações que praticamente te mandam fazer força -, comecei a perceber que algo tinha mudado. Sentia a cabeça do meu filho cada vez mais descida. Pedi para Rebeca me dizer o que estava acontecendo, ela tirou uma foto e me mostrou. Depois disso, foquei como nunca! "Agora vai!", pensei comigo. Resolvi cantarolar na minha cabeça "Feeling Good"...

A cada contração eu avaliava se fazia ou não força. Pois fazer força não é uma premissa para a contração. Você só faz força quando você quer fazer força, pois forçar a expulsão da criança sem o seu corpo pedir é ruim, faz mal sim! Só se faz força quando se deve/se quer e não quando x médicx manda/te obriga! Relatos e cenas que me deixam puta da vida é x médicx ou enfermeirx empurrando a barriga de uma parturiente para a criança nascer logo! Isso é violência obstétrica!

Quando teve essa mudança de cenário, a equipe voltou, pois tudo apontava para o nascimento. Linda cena, segundo Rebeca: eu sentada na cadeira, Rebeca de frente para mim, falando bem baixinho: "Falta pouco. Tá quase"; a equipe de 4 enfermeiras todas sentadas no chão esperando o Paco aparecer; e, Matheus logo atrás de mim, vendo tudo por um espelho para facilitar na hora que ele fosse aparar. Luz desligada... Silêncio... Eu chamava: "Vem Paco, vem meu filho... Aaahhh!!!" (E a bolsa íntegra)

Tem um momento muito doido que é logo antes da criança nascer mesmo, quando o corpo e as contrações param por um instante, meio que te deixam em paz, pois o quem vem é para dar cabo no processo. Me relataram que cheguei a tirar um cochilo no cavalinho! (Muitos médicxs nesse momento de descanso resolvem injetar ocitocina para a acelerar... Isso é violência obstétrica! Aliás, essa explicação foi dada por uma das enfermeiras da equipe que me acompanhou)

Pronto, nasceu! Nasceu aparado pelo pai, dentro da bolsa, me dando laceração de grau 1 (não sofri uma episiotomia desnecessária, que também é violência obstétrica!), todo duro/nada molenga, não chorou, me mijou as costas todas (sensação que sinto plenamente até hoje)...

Para mim, essa mijada de início de vida foi um aviso. Não tenho ideia de sobre o que! Mas aí eu seria a melhor mãe do planeta e não a pior se soubesse...

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sobre postagens e projetos

Então, mais uma vez, mais uma semana, mais uma postagem sem ser feita. Depois, mais uma semana se passou e nada...

No total de vida desse blog, já se foram três semanas sem postar. A primeira vez que deixei de postar, foi a vez em que voltei a fazer algo que me define: voltei a militância organizada dentro do PSTU. Uma parte de meu cotidiano que tinha deixado em pausa - e ainda não consegui retomar na medida em que gostaria, mas isso é processo - por conta do início de vida como mãe. Início de vida que me motivou a escrever e a criar esse blog - como tantxs outrxs.

E, por isso, essa postagem de agora é necessária para que eu não deixe de lado algo que já está me definindo. Desde que entrei no último trimestre da gravidez, deixei muita coisa de lado, por vários motivos: a rotina da casa junto do dia-a-dia do trabalho, cansaço do peso da gravidez, organização para a chegada do Paco, etc etc etc... Tudo vai acumulando e a licença-maternidade não chega, porque você quer aproveitar cada momento desse escasso tempo com x filhx nascidx, antes de voltar a trabalhar. Muita coisa ao mesmo tempo, sem falar na preparação psicológica que se tem para uma mudança eteeerna em sua vida - isso é muito tempo.

Por essas e outras que não dá para deixar de postar. Tem que se dar um compromisso, quase uma obrigação mesmo - uma obrigação d"a pior mãe do planeta" para com seu outro filho. Não dá para postar só quando surgir assunto, tem-se que criar assunto! Assim como no partido, eu me comprometi seriamente com esse projeto: uma postagem por semana. Compromisso feito, compromisso cumprido(!?). Pode-se reavaliar, assim como no partido, as melhoras formas de se cumprir com ele, mas deve ser cumprido e não fugir disso.

Estou fazendo essa comparação, pois a militância se reflete em vários lugares, momentos e formas. Encaro isso aqui como uma forma de desabafo militante, como se ser mãe fosse uma forma de militância. É mais uma faceta de como se dá seu posicionamento no mundo, na sociedade, e no que você acredita para romper - ou dar continuidade. No meu caso, esse projeto é um desabafo permeado de vontade politica/militante, pois, sinceramente, tem muita coisa com a qual eu discordo sobre a criação de crianças. E isso aqui é um compromisso com meu projeto de me expressar e falar sobre o que penso!

Falar o que se pensa, entre pessoas que possuem blogues e são blogueiras, não é uma novidade, mas não deixa de ser um compromisso que se faz. É necessário certa seriedade.

A manutenção e continuidade - e também a ruptura - de um projeto tem muito a ver com a forma com a qual você o encara e o realiza. Projetos têm uma finalidade (ou finalidades), ela pode ser utópica, um pouco fora da realidade e até mesmo ilusória, porém não deixa de ser uma finalidade. E, por isso, são importantes, precisam de comprometimento e algumas definições de como serem feitos. (Muito parecido quando se milita!!!)

Escrever é libertador! Tal como militar... No entanto, escrever de forma autoral (acho que é essa a palavra) é uma atividade em que você se solta e caga para o que os outros pensam. Tem a ver com você - isso, também, quando se escreve sem pudores de se expressar (pois quem escreve o que quer, lê o que não quer) -, principalmente quando uma das finalidades a qual se propõe é fazer x outrx refletir (!).

Minhas angústias de "pior mãe do planeta" são expressadas dessa forma escrevendo/militando/expressando. Sem falar que pessoas leem. Podem ser poucas, podem ser muitas, podem ser próximas, podem ser desconhecidas. Elas leem! É mais uma faceta desse compromisso, desse pequeno projeto: escrever para ler. E quanto mais se escreve, mais se cria assunto! Temas variados vão surgindo e você vai querer falar/escrever sobre eles.

(Nesse momento, meu companheiro me interrompe pela terceira vez... Isso é para todo mundo ter uma ideia de como é necessário levar o seu pequeno projeto a sério. Pois em breve a criança acorda e eu não acabei de escrever e a prioridade é amamentar!)

(E, agora, a quarta... Mas "tudo bem", ele tá lá dando tapinha na bunda do Paco para ele dormir mais um pouco)

Agora, esse é mais um projeto que tenho e é mais um compromisso que possuo... E tudo tem que ser prioridade!

Nos vemos semana que vem!(?)

P.S.: Alguém tem sugestão de melhor dia da semana para postagem?

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Um chá de camomila e um pote com amendoim

Essa postagem é uma postagem reflexiva. Reflete o que venho pensando e o como tem sido meus dias atualmente.

Acabei de me deparar com o seguinte fato: tenho que aprender a pensar com outra pessoa na minha cabeça. É difícil! Meus pensamentos não seguem uma linha coerente, me perco facilmente nas minhas reflexões, isso porque penso no Paco constantemente. Inclusive, nas poucas vezes que estive longe dele.

É um mundo novo nas costas. E é um mundo pesado, devo confessar. Não é fácil se deparar com o fato de que alguém depende de você. E, por mais que se ache que é até uma certa idade muito longínqua - tipo até uns 18/20 anos de idade, no mínimo -, me vejo agora vendo que a dependência de Paco pode ser que vá mais longe. Tipo... Para sempre!

Digo isso principalmente por ele existir e depender demais de meus pais em muita coisa ainda para que eu possa existir junto dele. E acho que vai ser para sempre também...

Nesse momento, ele está no colo do pai e olhando para mim... Isso é ao mesmo tempo maravilhoso e amedrontador! E diz muita coisa sobre o que vem pela frente. Muita coisa vem pela frente, é a única certeza que se dá para ter.

Hoje foi a primeira vez que me deparei com o costume. O costume de tê-lo por perto todo dia, toda hora. De ter que pensar o cotidiano para e com ele. Sem falar que ainda meus dias dependem muito mais dele do que ele do meu cotidiano. Dependo de seu humor, suas sonecas, suas mamadas, banho, etc, etc e etc... Meu dia é uma dependência e a vida dele depende de mim!

Seria, então, uma co-dependência?! Não sei, não sei mesmo... Até quando é assim? Acho que é para sempre... Com menos intensidade talvez, quem sabe. (Mas para sempre.)

O mais louco disso é que eu e meu companheiro também estamos no tempo de nos acostumarmos um com o outro. Bom, para quem não sabe, Matheus e eu nos conhecemos em junho do ano passado. Essa semana faremos um ano de "namoro". Fiquei grávida semana seguinte de oficializarmos nosso relacionamento. Na semana após a comemoração do nosso mês juntos nos deparamos com a novidade da gravidez.

Tudo muito corrido, rápido e sem intervalos. E estamos nessa até hoje. Nem perto de isso melhorar. E impossível disso ser diferente.

Nosso cotidiano não é nada como o "Cotidiano" de Chico Buarque. Não fazemos nada tudo igual, nem sempre acordamos com um sorriso, apesar de sempre pensarmos em cuidar um do outro - mesmo que às vezes é bem pouquinho - e, até então, não calamos a boca com nada (aliás, isso é meio que proibido). Sinceramente, isso também é cansativo, assim como o cotidiano rígido também pode ser.

A única coisa certa no meu dia é o horário de ir dormir, o ritual do sono que tantas mães, especialistas e outros falam. Não funciona só para o Paco, funciona para mim também. Para o Matheus, inclusive. Ir dormir... Ir dormir é um ritual sagrado... Isso não dá para não ter no não-cotidiano! Senão, ninguém aguenta! (Ninguém mesmo: nem eu, nem Paco, nem Matheus.)

Engraçado esse negócio de sono... Isso é tão sério, mas tão sério, que quando essa pequena regularidade é interrompida o dia seguinte é horrível! Ai! Esses não-cotidianos necessitam de boas noites de sonos (boas noites de sono foi exagero, eu sei, ninguém que tem recém-nascido em casa tem boa noite de sono... mas uma noite que você sabe como vai começar e como vai terminar é um alívio sem igual!)